2 de fev de 2012

A ARTE DE HIERONYMUS BOSCH

Hieronymus Bosch

Hieronymus Bosch - Do pecado ao Apocalipse




Hieronymus Bosch, ('s-Hertogenbosch, c. 1450 — Agosto de 1516), foi grande pintor e gravador neerlandês dos séculos XV e XVI.

Muitos dos seus trabalhos retratam cenas de pecado e tentação, recorrendo à utilização de figuras simbólicas complexas, originais, imaginativas e caricaturais, muitas das quais eram obscuras mesmo no seu tempo. Especula-se que sua obra terá sido uma das fontes do movimento surrealista do século XX, que teve mestres como Max Ernst e Salvador Dalí.




Sabe-se muito pouco sobre a sua vida. A não existência de documentos comprovativos de o pintor ter trabalhado fora de Hertogenbosh levam a que se pense que Bosch tenha vivido sempre na sua cidade natal. Aí se terá iniciado nas lides da pintura na oficina do pai (ou de um tio), que também era pintor.

Foi especulado, ainda que sem provas concretas, que o pintor terá pertencido a uma (das muitas) seitas que na época se dedicavam às ciências ocultas. Aí teria adquirido inúmeros conhecimentos sobre os sonhos e a alquimia, tendo-se dedicado profundamente a esta última. Por essa razão, Bosch teria sido perseguido pela Inquisição. Sua obra também sofreu a influência dos rumores do Apocalipse, que surgiram perto do ano de 1500.




Existem registros de que em 1504 Filipe o Belo da Borgonha encomendou a Bosch um altar que deveria representar o Juízo final, o Céu e o Inferno. A obra, atualmente perdida (sem unanimidade julga-se que um fragmento da obra corresponde a um painel em Munique), valeu ao pintor o reconhecimento e várias encomendas posteriores. Os primeiros críticos de Bosch conhecidos foram os espanhóis Filipe de Guevara e Pedro de Sigüenza. Por outro lado, a grande abundância de pinturas de Bosch na Espanha é explicada pelo fato de Filipe II de Espanha ter colecionado avidamente as obras do pintor.









Profeta do apocalipse

Idéia de que o fim dos tempos está próximo inspira demônios e monstros de Bosch

"(...) Luminosa e humanista entre os representantes do chamado renascimento cultural na Itália, a arte também abre espaço para essa tendência apocalíptica. As "visões" do fim do mundo são materializadas em desenhos e pinturas que procuram traçar um panorama da danação que nos aguarda. O pintor Hieronymus Bosch, sob a influência de uma formação religiosa fortíssima e talvez do clima sombrio dos Países Baixos, tem dado forma a passagens bíblicas que tratam do apocalipse. Bosch pinta grandes painéis nos quais mistura diferentes situações bíblicas, em efeitos desconcertantes. Sua mais surpreendente obra, A Tentação de Santo Antônio, finalizada no ano passado, retrata um mundo corrupto, grotesco e putrefato. Ainda assim, toda a decadência mostrada é incapaz de abater o santo, convicto de sua fé.


Para chegar a tal resultado, o pintor não se limitou a espelhar o espetáculo da loucura e do pecado, nem mesmo os horrores do inferno. Inspirado possivelmente na crença de que o Anticristo não tardará e que o Juízo Final se aproxima, Bosch mostra Santo Antônio com um olhar confiante, apesar de toda a perversão que o circunda. O santo, que viveu mais de 100 anos entre os séculos III e IV, passou a maior parte da vida no deserto do Egito. Piedoso, despertou a ira de Satanás, tornando-se alvo de insistentes assaltos demoníacos. Passagens como essas foram recriadas por Bosch num cenário mágico, no qual se misturam monstros imaginários, incêndios e situações macabras. Numa delas, uma ave engole suas crias, recém-saídas dos ovos.

A variedade de monstros e diabos na tela é espantosa, numa alegoria aos tormentos que afligiam a alma do santo peregrino. Há um demônio com crânio de cavalo, tocando alaúde; um peixe, metade gôndola, engolindo um homem; uma mulher com cauda de lagarto cavalgando uma ratazana. São imagens asquerosas, que no entanto exercem enorme fascínio. Ao retratar o fim dos tempos, Bosch entrou num caminho que o está levando a uma perturbadora inversão de valores. Em vez de imortalizar o belo com suas pinceladas, Bosch transforma o bizarro em arte. O tempo nos dirá se esse tipo de arte tem futuro. Se ainda existir o mundo, é claro."



  





V     I     V     A          A          A     R    T !

by

L     u     g     o     u     v


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